Uma vez os Correios…
Entristeço-me por escrever este post. O que outrora foi referência de eficiência, hoje é nem pálida sombra. Falo dos Correios. Tinha tudo para dar certo. Em plena era da Internet, quando as correspondências pessoais quase desaparecem, transformadas em e-mails, os Correios poderiam ter ocupado um enorme vácuo na logística brasileira. Com a sua rede capilarizada de agências, postos de atendimento, pessoal, veículos, tinha tudo para ser uma grande transportadora de pequenos objetos. Perfeito para casar com o crescimento vertiginoso do e-commerce. Porém, o que se vê é exatamente o oposto. Agências cheias, atendimento moroso, burocrática, descumprimento de prazos de entrega… Dolorido mesmo. E nem ouso a dizer que é culpa dos seus funcionários. Pois carregar uma sacola de 25 kg no ombro e ficar batendo perna na rua, isso não é mole. É gente trabalhadora. O problema é na administração. Decisões ruins. Má gestão. Corrupção. Cabide de empregos. Corporativismo. Jogo político. Muitos nomes. Eu escrevo este post para desabafar a minha tristeza. Cerca de dez encomendas que recebi este ano, apenas duas eu não precisei ir ao Centro de Distribuição dos Correios (CDD) para pegar a encomenda. A alegação dada por eles é destinatário ausente. Mesmo eu estando na minha residência. Segundo a funcionária do atendimento de balcão, o problema é que eu moro num condomínio vertical. Os carteiros são instruídos por normativa interna a NUNCA tocar no apartamento do destinatário. Só entregar as encomendas ao porteiro. Estão me obrigando a pagar um porteiro para receber a minha encomenda. Ela ainda se justificou dizendo que se o carteiro tivesse que apertar o botão de cada apartamento para entregar as encomendas, ele perderia muito tempo. Por isso da normativa. Oras bolas. O que é mais demorado? Tocar a campainha em dez casas com endereço diferentes ou em dez apartamentos no mesmo prédio? E mesmo que não fosse essa a questão, o valor da entrega não inclui a “entrega”? O que interessa se é apartamento ou casa? E a gasolina gasta nas três tentativas (que eu não vi) feitas para entregar? Não entregou porque não viu o porteiro? Eu realmente acho curioso quando a norma sobrepõe o bom-senso. Infelizmente, as organizações ligadas ao serviço público tem essa tendência. Gasta-se um absurdo para que uma encomenda cubra 1000 km de avião para chegar em 24h na outra cidade. Mas leva três dias para ela sair do CDD e ir para o destinatário, pouco mais de 2 km de distância. Tentei fazer reclamações junto à Ouvidoria. Eles dizem que eu tenho que ter um número de protocolo de atendimento antes para que eles possam me atender. Caso eu não tenha tentado as vias “normais”, eu não poderia contatar a Ouvidoria. Bom, tentei fazer pela Internet. Eu, destinatário, não tenho como fazer a reclamação. Deve ser o remetente. E quando informo isso aos Correios, eles me dizem para preencher assim mesmo o tal formulário eletrônico (por telefone perguntam a mesma coisa do formulário, com a diferença que eu pago a ligação). Dizem para eu contatar o remetente para pegar os dados deles (CNPJ, número de contrato com os Correios, tipo e peso da encomenda, endereço do remetemte. agência onde foi postada…). Um absurdo. Será que pelo número de rastreamento eles não tem todas essas informações na base de dados? Para quê eu digitar de novo? Em que isso ajuda a resolver o problema? No final, se fala tanto em “qualidade do serviço”, de métricas e tal, mas não adianta nada. Não adianta porque se burla a métrica. No caso da entrega das encomendas, quando Sedex, o prazo é de 48h. Muito bem, apesar da encomenda vir de avião em 24h para a cidade do destinatário, eles não tem pessoal, tempo, equipamento, sei lá, para fazer a entrega dentro da cidade. Assim, registram no sistema que houve a “tentativa de entrega” e anotam “destinatário ausente”. Com isso, ganham um dia, imputam a culpa do não cumprimento do prazo ao destinatário e mantém o “bom número” da qualidade de atendimento. Correios, isso é feio. É triste. É inútil. Todo mundo está vendo o papel ruim que fazem. Acordem, senhores. Não prejudiquem mais a vida desse nosso povo brasileiro. Dessa gente pobre que depende dos correios. Seja pelo Banco Postal, seja para enviar um presente aos parentes distantes, receber uma conta de água… O porteiro do meu prédio não tinha dinheiro para pagar os juros da conta dele. E pagou juros porque a conta chegou atrasada. Podia pedir segunda via? Claro. Mas ele não tem Internet. Mal sabe ler. Quiçá usar um computador. Não sabe onde pegar a segunda via na cidade. Não sabe que tem esse direito. Correios, o trabalho de vocês é sério. Tenham a decência de fazê-lo de forma responsável.
P.S.: Tentei contatar a Ouvidoria e o sistema retorna “Manifestação #xxxx encerrada!”. Ou seja, se os Correios mandarem uma resposta absurda para você, você não tem como recorrer à Ouvidoria, pois aquela “manifestação” está “encerrada”. Muito útil.
Netshoes nunca mais!
Apesar de toda facilidade que a Internet trouxe para a vida da gente, ela também trouxe novos e velhos problemas. Fiz recentemente uma aquisição na Netshoes.com. Queria utilizar um programa de pontos, o Km de Vantagens, da Ipiranga / Texaco, para conseguir um desconto de 12% nas compras na Netshoes. Segundo o regulamento que consta no Programa de Pontos, o desconto é válido para todos os produtos do sítio, com exceção dos lançamentos. Muito bem, fiz a conversão, rumei para a loja virtual e quando fui fazer o pagamento dos produtos adquiridos, o desconto não foi dado. Refiz a compra, tentei novamente, desta vez com menos produtos, troquei o navegador… Nada. Sem desconto. Depois, troquei os produtos… Em um certo momento, notei que o desconto surgiu! Algo fiz que deu certo! Tornei a colocar os produtos de meu interesse e… De novo, o desconto desapareceu. De repente, notei que existiam “letras miúdas” no rodapé do banner da loja virtual. Lá dizia que além dos produtos em lançamentos, determinadas marcas de produtos (exatamente as que eu queria comprar e as mais interessantes) não eram elegíveis ao desconto. Entrei em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente da loja e reclamei. Exigi o desconto ou os meus pontos de volta para o meu programa de fidelidade. Recebi um mero e-mail dizendo que isso era impossível e a loja se desculpava por qualquer inconveniente causado. Tentei reclamar com o Km de Vantagens e NENHUM canal de atendimento ao consumidor funcionava. Nem e-mails (que não tem), nem sistema de mensagens (dava erro e pedia para tentar novamente), nem telefone (a URA pulava direto para o fim do atendimento, pedindo para pontuar a sua qualidade?!), nada. Fiquei a ver navios. O que me chateia nessa história toda é que as lojas gostam de brincar de cobaia com a gente. Não sabem fazer, mas dizem que fazem. Somos “convidados” a participar “voluntariamente” (por conta e risco) dos amadorismos dessas empresas e pronto. Quando algo dá errado, que procure o Procon, o advogado, o fórum cível… Vire-se. E deixe que o tempo passe, que você recorra, que você perca a paciência para conseguir de volta 20 reais de desconto, ou 30 reais em gasolina no posto, ou um pedido de desculpas escrito no papel. Pois é, empresas virtuais. É legal poder fazer compras no conforto da minha casa, comparar preços e tal. Mas é impressionante como vocês querem vender o que não tem. Não tem bom pós-venda, a logística é um leap of faith, o meu dinheiro suado é usurpado sem a menor cerimônia. A droga é que por falta de coisa melhor, a gente acaba ficando com o que tem. E como somos um mercado grande de pobres, que não tem condição de pagar advogado que preste, de ficar pendurado no telefone ouvindo asneira de call center em horário de expediente, nem de pagar interurbano para acessar o SAC, acaba que ficamos nisso. Com um bando de empresas com um serviço medíocre. Serviço que dá certo em 60% dos casos, que causa úlceras de preocupação em outros 30% e premia 10% com pérolas do absurdo, dentre elas ficar sem o produto e sem o dinheiro (façam força e pensem num sinônimo!). Juro que fico pensando que ainda faltam bem uns 1000 anos para a gente ficar “moderno”. Não por falta de tecnologia. Mas por falta da boa e simples vergonha na cara. Bons os tempos em que se fazia negócio no fio do bigode.
