Mudança

Quando eu estava no Brasil, eu imaginava que não ia querer me misturar com os brasileiros. Pelos não muito. Para evitar falar de Brasil, ouvir da música constantemente, das coisas que foram, que eram, que seriam… Enfim, um meio de evitar bater aquela deprê típica de quem sente o tal do homesick.

Pois é, estou tendo que mudar de opinião. Pelo menos neste começo. Hoje, eu fui a um jantar na casa de uma amiga que conheci por intermédio de outra amiga. Ela já mora aqui há 16 anos, casou-se por aqui, teve filhos, um casal. Acho que já deve ter visto passar “gerações” e gerações de doutorandos e pós-doutorandos por aqui. Comemos muqueca de peixe, com aquele arrozinho, uma salada sortida e um feijão preto com pedacinhos de lingüiça. Tudo regado a um bom frisante local. Assistimos de quebra um filme brasileiro, “Ó, paí ó” e conversamos sobre ele. Trocamos toques musicais pelo celular, pois essa amiga tinha o piado de um pássaro que ela conhece como “capitão do mato”. E dá lhe conversa…

No final, fiquei pensando comigo, será que eu vou ficar me sentindo saudoso, mal, daqui há alguns meses? Será que esse clima sempre nublado vai me fazer amuado? Será que andar ou não com os brasileiros vai fazer alguma diferença? Quer saber, no final é muito legal! Diverti-me pacas! Diferentemente da minha amiga, eu vou voltar daqui quatro anos. Diferente daqueles que ficaram no Brasil, não perdi o meu carro ou a minha casa com as inundações em São Paulo. Diferentemente dos holandeses… nasci brasileiro. Sorte minha. E, de repente, me achei feliz.

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