Liberation Day

De WeraldEssa foto é da lateral do Hotel De Werald (“devéraldi”). É onde foi assinado o fim oficial da Segunda Guerra Mundial. Não sei exatamente as circunstâncias que levaram a ser este o local para tal fato. Seja como for, o epicentro das comemorações do Liberation Day nos Países Baixos é Wageningen, província de Gelderland. A cidade ficou um caldeirão de gente. Estimam que cerca de 100 mil pessoas venham todos os anos para a festa. Gostei muito da celebração pela festa cultural! Vários palcos são montados, várias atividades ao ar livre são realizadas e tudo ao mesmo tempo! Teatro, dança, brincadeiras para crianças, mágicas, reagge, pauleira, dark, trance, jazz, folk music, orquestras tocando Duke Ellignton, lojas abertas, muita cerveja, cerveja e mais cerveja. Se você não gosta de bagunça, não venha nesse dia. Bagunça é o que mais acontece. Cheguei pelo meio-dia e meia, achando que a parada começava por aí. Nada, só às quatro horas. Fiz uma rodada por todos os palcos e apresentações. Tirei muita foto a ponto de acabar a bateria da máquina. O dia ajudou também. Muito sol, sem uma nuvem, quente, mas não insuportável. Perto dos 25°C, segundo o meu novo termômetro! O que me preocupou um pouco foi a umidade relativa. Em torno dos 27%. Também muito veterano de guerra. Estava acompanhando esse pessoal indo para a missa na igreja e fiquei preocupado com um deles. Estava ofegante e a cada dez metros parava e se segurava na grade que dividia o público da comemoração. Outro incidente maluco foi uma policial tentando conter a galera que cruzava o meio da pista do desfile. Foi tenso. Uma hora ela correu atrás de um moleque que atravessava a rua e tentou pegá-lo pela roupa. O rapaz deu um pique e pulou a grade. Conseguiu fugir. A namorada desse cara foi obrigada a voltar para o outro lado da rua. Assistindo à parada, claro que gostei do agito, das cores, do povo, da festividade, dos equipamentos que passavam. Porém, não pude deixar de pensar na guerra, nessas máquinas eficientes de matar gente, nas pessoas que se perderam, nas famílias que ficaram incompletas, no pranto, na dor, na luta sem sentido, na lavagem cerebral da cabeça de um soldado para dar sentido a algo que não tem sentido. Estávamos lá para homenagear pessoas que possivelmente mataram outras por algum motivo “lícito” definido pela instituição “nação”. Não acho que os soldados sejam culpados da guerra. Não, de maneira alguma. Vi a penúria de muitos deles. Sapatos baratos, ternos antigos, medalhas num aspecto de pouco cuidado… Sem falar naqueles que não andavam mais ou tinham algum tipo de mazela produzida pela guerra. Tanta loucura. Tanta insanidade. Lembrei do filme “4 de julho”. Aleijados, psicologicamente abalados, pobres, o governo lhes dando as costas, as mentiras sobre o que de fato foi a guerra, sem os heroismos descritos nos livros de história. Mas muito medo, muita covardia, muita injustiça. Ficou o dia azul. E eu com a certeza de que dentro de mim tenho também um pouco desse “senhor da guerra”. Não é que eu quis dar umas porradas num infeliz porque quase me atropelou com a bicicleta?

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