Polders

MuseumFinalmente, tive a oportunidade de conhecer um fazendeiro da região norte dos Países Baixos. Uma experiência incrível. Não só pela visita em si, mas por conhecer um pouco da história da luta dos neerlandeses para ampliar áreas agricultáveis. É a história da província de Flevoland. Uma província criada a partir da construção de diques, na década de 30. Tudo em função de uma enchente que ocorreu em 1916. Para se ter uma idéia, tem conchas debaixo da plantação. Trata-se de uma seqüência de três grandes áreas: a primeira mais ao norte, onde se localiza a cidade de Noordoostpolder (década de 30); a segunda onde fica a cidade de Lelystad (década de 50); e a terceira, onde fica a cidade de Almere (década de 60). Essa agonia por terras foi por conta da Segunda Guerra Mundial. Apesar da Holanda ter tentado se manter neutra, não permitindo a entrada de nenhum dos exércitos, nem dos Aliados e nem do Eixo, ela sofreu pesado embargo marítimo, o que limitou drasticamente a disponibilidade de alimentos. Esse acontecimento histórico impulsionou políticas nacionais para a construção dessas áreas artificiais, situadas a 10 m de altura em relação ao nível do mar. Um trabalho monumental de engenharia e hidráulica, requerendo pesados investimentos, gasto em energia e trabalho. Ao longo das décadas em que foram construídas, as políticas mudaram, o que também modificou a forma de fixação dos agricultores. Parte das razões dessas mudanças foram os preços baixos das commodities agrícolas, as despesas altas com subsídios e mesmo uma crescente demanda da Alemanha e França para escoar água para o mar(!). É uma história muita interessante. Fora os aspectos agronômicos como lidar com a salinidade dos solos, as culturas que predominaram (de batata-semente a tulipa) e a intesificação produtiva pela uso de máquinas. Realmente uma visita muito proveitosa.

Mas para não dizer que tudo foi trabalho, fomos a um museu a céu aberto, o Zuider Zeemuseum (“záuder zeimiuziam”). Esse museu recria uma comunidade de pescadores que habitavam (e ainda habitam em algumas áreas) esse delta do norte dos Países Baixos. Apesar da vila ser artificial, as casas, apetrechos e móveis são originais, provenientes de famílias que moraram de fato por ali. Foram tirados de várias comunidades de pescadores e ali montados. É realmente impressionante. A vida desse povo não era nem um pouco fácil. A madeira se vê presente em cada pequeno aspecto de sua cultura. Nas casas, nos móveis, no klomp (o típico tamanco de madeira), nas embarcações, nos barris para transporte e tudo mais que se possa imaginar. Essa alma de planejadores e hábeis carpinteiros e navegadores vêm da longa data. Só posso agradecer aos dois professores que proporcionaram tamanha oportunidade de imersão cultural e de contato com a verdadeira agricultura neerlandesa.

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