Fog neerlandês

VacasHá três dias eu acordo com uma manhã cheia de fog. Tudo branco, sem se conseguir ver muito distante, como uma mágica de Gandalf envolvendo a floresta dos Hobbits na Terra-Média. A cabeça de brasileiro ainda não consegue assimilar que essas ocorrências naturais são de fato naturais. Elas ocorrem com freqüência por aqui. Para mim, sempre fico com a idéia de que é passageira. Não tem aquele velho ditado “cerração que baixa, sol que racha!”? Pois é, fico esperando a cerração sumir e o calor vir. Aqui a cerração baixa e continua baixada o dia inteiro! Fico até na dúvida se tenho que acender a luz da Marilyn por medida de precaução. No final do dia, o céu abriu assim de repente. Era 19h passado e o céu azul entre rasgos de nuvens bem transparentes. No horizonte, vários balões de ar quente, daqueles de cestinha, pairando no ar. Dessa vez foi um recorde: cinco deles flutuando. Parecem que saem de Nijmegen. Fora os balões e a cerração, tive um dia calmo. Foi o último dia que me estipulei para pegar leve depois da gripe forte que me acamou. Esta semana, força total. Já vou voltar às minhas atividades normais. Preciso pegar o meu ritmo de novo, tô com muito tempo para ficar pensando bobagens. Digo isso porque fico pensando em gastar dinheiro, o que não é muito bom nas minhas atuais condições. Aliás, falando em compras, pela primeira vez comprei aqui pela Internet. Foram uns livros da Amazon do Reino Unido. Rapaz, como são caras as coisas. Uma libra esterlina é cotada a US$ 1,97, quase dois dólares. Um livro “bom” gira em torno de £ 21 a £ 22. Não é mole. Cada dia que penso nos preços aqui, vejo como no Brasil as coisas são baratas. Esse papo de que o brasileiro não lê porque livro no Brasil é caro, pode valer, é balela pura. Tudo bem, temos que levar em conta o poder aquisitivo do europeu, do americano. Mas cá entre nós, pagar mais de R$ 100 por um livro de pouco mais de 200 páginas aqui na Europa… Venhamos e convenhamos. Lançamento de 400 páginas no Brasil sai por R$ 55. A página européia é quase quatro vezes mais cara comparada à página brasileira. Sem falar os CDs, DVDs e toda sorte de produto cultural. A única coisa que eu vi mais barata aqui é o show do Cirque du Soleil. Porém, fiquei sabendo que cada montagem tem um preço. A que estava aqui em Amsterdam era o Varekai, que soube que é mais barato que o Alegría, que estava no Brasil. E falando em caro, conversando com um colega do departamento, ele me disse que estava feliz por ter comprado uma casa. Ela custa 250 mil euros. Detalhe: ele me disse que, em 30 anos, ele espera pagar metade do dinheiro financiado… Pode??? Sim, ele vai morrer devendo. E caso os filhos dele não queiram a casa, eles simplesmente devolvem para o banco. Cara, isso é muito louco. Enquanto isso, os fazendeiros de leite estão bravos com os laticínios por aqui, provavelmente alguma contenda a respeito de preço. Fizeram um movimento na porta de alguns supermercados e estavam dando leite. Fecharam alguns laticínios colocando os tratores na frente. Fazendeiro aqui é outra coisa impressionante. Visitamos um que tinha 145 ha, dentre outras coisas plantava batata-semente. Só a câmara fria estava orçada em mais de 1 milhão de euros. Imagina a grana que esse cara gira por safra nessa “areazinha”… Aqui sim a coisa é agri-BUSINESS.

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