T-3 dias

Phone BoothLá vamos nós para mais outro dia de árvore do pensamento. T-3 e contando… O capítulo de hoje foi árduo. Já ouviram falar de Modelos Paralogísticos com resolução pelo método de taxa infinita em sistemas sem dispersão no tempo? E dos Boxcar Train em séries de elementos de atraso? Delícia. Falta pouco. Tenho me resignado a isso. Por vários motivos, tenho que passar por essa provação, mesmo não vendo a princípio um motivo muito claro. Afinal, o que tinha para ser aprendido, internalizado, estudado, já está lá no meu trabalho. Nessa discussão de motivos, fica evidente que tanto no Brasil como aqui, a academia ainda, em alguns momentos, sofre um viés entre discurso e prática. Do discurso da multidisiplinaridade, da abordagem holística, da multiculturalidade, dos sistemas complexos, para uma prova de conteúdos decorados, traduzidos num número que supostamente indicará a minha capacidade de apreender. Apesar de ter cruzado o Atlântico, de morar num país onde as drogas são toleradas, que as pessoas são quase que naturalmente bilíngües, que a sua história se perde no infinito do tempo passado, eis que me deparo com as mesmas dificuldades comuns em nosso “pobre” País tupiniquim. Que, aliás, não é só tupiniquim. Não é só de índio. Mas do preto africano, do branco europeu, do amarelo asiático e do azul terrestre da miscigenação. As mesmas centenas de décadas deste continente que dão a esses povos o orgulho da tradição, história e experiência, também depõe contra eles, repetida na fobia às mudanças, na xenofobia a pessoas e culturas, no racismo, nos “velhos” jeitos de se fazer coisas que, se ganham por um lado a pecha de arte milenar, também justificam a cegueira ao novo. “Justifica” ou “leva a”, não sei dizer. Assim, meus caros amigos, vai o desabafo deste que vos fala em t-3 do “dia D”. Que saco fazer prova…

Falando de tempo, num lugar tão antigo, é natural que muitas coisas da paisagem mudaram muito. Esse final de semana mesmo eu me queixei a um amigo europeu que estava meio sem muita vontade de ficar passeando por aqui na Europa. Parece que todo lugar que vou, fico com a nítida impressão que estou numa casa de bonecas. Tudo muito bonito, tudo muito perfeito, em seus lugares, com placas indicativas, com histórias longas em livros, com pessoas que se dizem herdeiras ou que carregam o legado daquela história, daquele tempo, daquele povo, daquelas culturas. Eis que ouvi a resposta desse amigo: mas tudo no mundo é mudado pelo homem; existe algo de errado em se apreciar o que o homem muda? Rapaz… Fiquei sem resposta. Claro, eu sabia que estava falando por falar, muito sem argumento. Mas a resposta foi um empurrão para a divagação, para a reflexão. O que me previne, o que me segura, para visitar outros lugares? Por que essa falta de vontade? Por que essa descrença nas coisas que vejo, ouço e conheço por aqui? Adicionando mais fatos à discussão: tenho alguns colegas aqui que viajaram MUITO. Pessoas que foram da Austrália para os confins do Alaska. Sem brincadeira. Mas conversando um pouco mais, vejo que “ficaram”, como se diz na nossa gíria de relacionamentos. “Ficaram” no lugar, não vivenciaram. Não conversaram com o povo, ou se conversaram, foi para saber onde ficava o bom restaurante, a boa loja de souveniers, a boa praia, o bom museu, o bom hotel… Tiraram muitas fotos. Ou não tiraram nenhuma, mas trouxeram a conchinha da praia, o porta-copo do bar, o jornal do dia… “Ficaram”. Mas é possível fazer outra coisa além de ficar, dado o tempo exígüo, a grana curta, as responsabilidades do trabalho ou ao esquema “trupe” que a gente topa? Enfim, o tal do “Catch-22”: ver muito e superficial ou ver pouco e profundamente? T-2… contando…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s