E.M.D.

Brazil, 1958. Ana Maria Tavares.

"Brazil", 1958. Ana Maria Tavares.

Que dia cheio… O curso de Gestão do Tempo e de Projetos continuou. Foi melhor que o primeiro dia, há duas semanas atrás. Porém, continua “vazio”. Eu fiz uma participação no final do dia com um “caso”. Quis apresentar aos nossos colegas neerlandeses que a vida não é apenas dois lados: um “profissional” e um “particular”. Querer reduzir a vida da gente a essas duas dimensões não é fácil e nem desejável. Na minha cabeça, existem várias outras dimensões em nossas vidas e que não são necessariamente “planejáveis”. Assim, o meu problema com gestão do tempo não era saber definir os pontos de verificação, distribuir as tarefas no tempo, ou controlá-las. Mas colocar tudo que é “importante” para mim na forma de um plano. Não existe na cabeça deles um espaço para “outras coisas”. Ou é, ou não é. Ou está planejado ou não está. Ou funciona, ou não funciona. Se por um lado isso é uma noção prática, objetiva e bastante orientada a resultados, ela é hermética, não dá margens a erros e “seda”. Estava escrito na apostila: planejar não mata a criatividade, não torna a vida sem graça. E aí é que encontrei o calcanhar-de-aquiles dessa abordagem de planejamento. O que é criatividade se não o novo? O que é uma vida “com” graça senão o inesperado? E mesmo que não fosse o “novo” ou o “inesperado”, a idéia das afirmações é exatamente esclarecer que planejar é “bom”. Bom é um julgamento de valor. Bom para você, bom para mim, para nós… Várias noções do que é “bom”. Entendo que o planejamento é bom para organizar tarefas de maneira a se atingir um resultado. Mas não acredito que a vida do homem se resuma somente a resultados. Afinal, recitando um lugar comum, se “todos os caminhos levam ao Senhor”, o que vale mesmo é a jornada, o caminhar, o viver. Se alguém for agnóstico, vamos colocar desta forma: um dia todos morreremos. Resultados teremos de qualquer forma. Não se morre sem ao menos ter respirado o ar, contribuído para o aquecimento global, ou detonado com a camada de ozônio. Sei que para mim ficou muito claro que uma das maravilhosas características de um brasileiro e uma brasileira é essa complexidade, esse sentimento confuso, essa gasosidade que não deixa nenhum dia de nossas vidas se definir por um ticado na “to-do list”.

P.S.: E.M.D. – acrônimo para “émuidifíci”, Zeroberto 200?.

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