Representar o país

Detalhe de uma ponte em Sonsbeek
Detalhe de uma ponte em Sonsbeek

Tivemos a apresentação de uma professora brasileira da área de ciências sociais em um dos departamentos aqui da universidade. Na verdade eu tinha duas apresentações para ir e acabei optando por esta. Mais pelo fato dela ser brasileira do que pelo tema. Falava sobre alimentos funcionais, essa “nova” categoria que criaram para discernir alimentos com alguma propriedade de “melhorar” a saúde de um indivíduo. Na minha opinião, existe um problema muito grande de conceitos aqui. Primeiro, definir o que é “doença” para se saber o que é ser saudável (ausência de doença). Parece algo simples. Porém, se alguém procurar pela definição, no final, até um calo pode ser considerada uma “doença”. Segundo, definir o que é “funcional”, já que todo alimento, inclusive a água, tem alguma propriedade preventiva ou curativa de uma doença. Com isso, fica um discussão muito interessante entre: será que um alimento funcional é um tipo de “remédio” ou um remédio é um tipo de “alimento” funcional? Aí entra toda uma outra discussão sobre ter esses “remédios-alimentos” disponíveis a qualquer em uma prateleira de supermercado, sem necessidade do aval de um médico. Seria uma forma de passar por cima da autoridade médica. Coisa que no Brasil é engraçada! As associações médicas, como a de cardiologia, dão o seu “selo” de qualidade a produtos! Ou seja, ratificam esse “bypass” sobre a sua autoridade médica. Enfim… Vai longe a discussão. Para mim, no fundo, é uma questão capitalista. Uma forma de diferenciar o produto e cobrar por isso. Se você compra uma cenoura na sessão de verduras, ela vai conter beta-caroteno, mesmo que ninguém adicione beta-caroteno (e essa seria, tecnicamente, a diferença entre um alimento que é ou não funcional). Assim, uma empresa poderia simplesmente colocar um selo de “funcional” e dizer que o seu produto é “especial” porque tem beta-caroteno. É a mesma história ridícula das margarinas sem colesterol. Todo produto vegetal é ausente em colesterol por definição. Mas usavam essa “característica” como um diferencial em alguns produtos a fim de tapear o pobre do consumidor que não sabia desse fato, apresentando um produto “mais saudável”. Foi preciso uma lei para parar com isso. Mas, voltando à questão da brasileira. Fiquei triste com essa professora. Um inglês fraco. Não pelo sotaque, mas pela falta de domínio da língua para se comunicar com precisão em sua área. Leu a apresentação toda. Linha por linha dos “slides” do Powerpoint. Essa pessoa tinha doutorado e é do quadro regular de uma universidade em Santa Catarina. Uma universidade grande e pública. Não é à toa que a gente fica mal falado por aqui. Sim, claro, tem honrosas (graças a Deus) exceções. Gente que merece e contribui para a imagem de um país que investe em ciência. Infelizmente, não parece ser a maioria.

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