Nada especial

Uma cascata diferente

Uma cascata diferente

Estou como a água da foto ao lado. Simplesmente correndo. Nada mais. Passando por cada obstáculo, parando um pouco (procrastinando) em cada “tigelinha”, mas seguindo o seu caminho. No banho peguei-me pensando sobre o que o moderador do curso de Gestão de Tempo e de Projetos me disse: “você está procrastinando”. Quer saber, sim, estou. E daí? Será que ele não percebeu que TODOS procrastinamos, inclusive ele? Na minha opinião, procrastinamos porque estamos num mundo que nos obriga a fazer coisas que nem sempre queremos fazer. Noto que são momentos da vida. Não é sempre. Para mim, agora, com o sol que estava na janela, o dia azul e obrigado a trabalhar, sem sair de casa, não tive como evitar o mecanismo de “procrastinação”. Fazendo um paralelo, procrastinar parece-se com o mecanismo de estresse em animais. Para quem não conhece, o estresse é uma forma do corpo preparar o animal para a luta ou para a fuga. O sangue vai para os órgãos mais importantes (por isso a gente fica branco), o pêlo se eriça, as pupilas dilatam, o coração acelera com a descarga de adrenalina, permitindo movimentos rápidos dos músculos, fica-se “sedado” para a dor (continuar a fuga ou a luta, mesmo perdendo um pedaço do corpo) e se evacua ou se urina para diminuir o peso e enojar o predador. O estado constante e repetido de estresse não é legal e todos sabem as conseqüencias disso em nossas vidas modernas. Pois é, a procrastinação, entendo que seja uma forma de se preparar psicologicamente para se proteger do perigo de insanidade. De se deixar engolfar pela mesmice, pelo maniqueísmo (achar que o mundo é simplesmente uma dualidade de bem ou mal – eu até diria, de “certo” e “errado”), pelo automatismo do capital. A gente resiste a fazer algo não criativo, não legítimo. E resiste porque fere a nossa crença. Pelo menos, é o que eu sinto. Tanta coisa que dizer, fazer, pensar e eu aqui, neste quarto, tendo que montar na marra outra apresentação, outra versão do meu trabalho, a fim de atender um institucionalismo acadêmico, de provação, de mais teste, de mais regras. Não sou contra normas e regras. Eu acho que isso é uma necessidade quando se vive em um mundo diverso. Porém, deve-se procurar evoluir para um mundo sem regras e normas. Ou com menos. Eu acredito em uma forma comunal de vida em que as regras dão espaço à comunicação, ao entendimento. De repente, dei-me conta que sinto, constantemente, falta disso. Fico feliz quando escrevo neste blog e posto as minhas fotos. Sou eu me fazendo entender, me entendendo, entendendo os outros, a vida, esse mundo que nos rodeia. Já pensaram que a Internet é um grande fórum de entendimento? Um lugar sem “regras”, em que as pessoas expressam a si independente das regras nacionais, das regras do tempo, das regras dos sistemas econômicos, das crenças religiosas, das convicções políticas? Assim, para minha própria sanidade, eu entendo que procrastino, pois sei que tenho que viver por essas regras por enquanto. Preciso apenas cuidar para que isso seja em bases menos freqüentes. Também sei que essa atitude torna-me menos “eficiente”, menos competitivo. Talvez eu não brilhe nos estudos como eu gostaria de brilhar. Tenho essa necessidade de brilhar, parte da minha natureza perfeccionista. Finalmente, sei que algumas pessoas se tornam mais produtivas com regras e normas. Como aqueles que trabalham duro, não olham muito para os lados e mandam ver. Mergulham. Nada de errado. Mas não sou assim. Isso aí.

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