Anger management

Céu azul de outono

Céu azul de outono

Eu sempre tive um pequeno problema com carros. Ou melhor, não com carros, mas com dirigir carros. Eu por vezes me pareço o Pateta naquele desenho animado em que ele é um pacato cidadão caminhando na rua mas que, quando entra no carro, transforma-se em lunático querendo chegar sempre primeiro, passando por cima de tudo e de todos. A coisa estranha é que tenho essas reações com e-mails também. Quando recebo um e-mail atravessado, lá vou eu disparando uma mensagem quilométrica tentando parecer mais esperto do que eu sou. O problema de sempre é que a gente acaba provando exatamente o contrário. O quanto se é imaturo, reativo como uma punhado de plutônio e com problema de auto-estima. Uma necessidade de provar, de mostrar, de ser mais do que se é. Carros dão poder. Amplificam. E os e-mails? Acho que é a impessoalidade, a falta do olho no olho. A sensação de que não existe conseqüências do que se fala. Que basta apertar o botão de “delete” e tudo se vai. Se pod desfazer a caca que se fez. Poder de controle da situação. Penso profundamente sobre isso. Uma das minhas táticas agora é largar o e-mail e responder depois. Se possível, no dia seguinte. Ajuda a refrear a testosterona. Essa já me poupou altas dores de cabeça. Porém, noto que tenho semanas em que esses e-mails atravessados são recorrentes. Eu fico com vontade de dar um basta, de evitar que isso se repita novamente de forma tão freqüente. Eu sei do perigo de um dia me pegar de TPM ou ovo virado. A questão é que esse tipo de pensamento acaba me levando para o “lado negro da força”. Fico com mais testosterona, com vontade de responder de bate-e-pronto, de não querer passar por “passivo”, por palhaço e, lá vou eu, mandando um e-mail-bomba. Porém, fiquei aqui conversando com os meus botões. Eu percebo que não é só o fato da gente se controlar. Mas as pessoas também fazerem a parte delas. Como pode pessoas que se dizem tão experientes, tão “escoladas”, sejam tão ruins para lidar com pessoas, com suas diferenças? Claro que não existe prova científica de que pessoas inteligentes sejam sempre pessoas capazes de lidar de forma “inteligente” com as outras. A tal da inteligência emocional. Achei o fio da meada. Isso só acontece quando recebo e-mails de pessoas que penso serem “superiores” a mim. Como diria Confúcio, “o verdadeiro sábio é aquele que é capaz de ver o mundo num grão de areia”. Como diria Daniel, “talvez seja sábio ver o mundo como um monte de grãos de areia, todos iguais perante os olhos de Deus”.

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