Preços na Europa

A torre do parque Sonsbeek
A torre do parque Sonsbeek

Saí para fazer compras no centro da cidade. Acompanhava esse colega recém-chegado, mostrando as lojas onde faço as compras e tal. Conforme entrávamos e víamos as coisas, ele ia convertendo o preço em reais e falava “tá o mesmo preço do Brasil”. Não tinha parado para fazer essas conversões. Com a recente crise econômica mundial causada pela falência do sistema bancário americano, ficou ainda menos diferente o preço. Liquidificador, jaqueta de marca, botina, moleton, panela, comida… Realmente, a diferença é muito pouca. Tentando achar as causas, lembro-me que a taxa para alguns produtos, principalmente os supérfluos, é de 19%. Vale para o vinho, a escova de dentes elétrica, o brinquedo e por aí vai. A mesma escova elétrica que comprei aqui, feita na Alemanha, custa 15 dólares nos Estados Unidos, contra 20 euros aqui. E olha que a Alemanha é aqui do lado. Produtos eletrônicos têm o mesmo preço nominal dos EUA, mas em euros, ou 30% mais caros. Um jogo do Wii que sai 25 dólares nos EUA custa de 25 a 30 euros aqui. Para produtos essenciais, o imposto é de 6%. O salário mínimo por aqui fica por volta de 1.250 euros. Muita gente ganha esse valor ou próximo disso. A diferença é que a educação é subsidiada, existe auxílios dos mais diversos como o de creche para filhos pequenos e, no final, dá para “sobreviver” com “pouco”. O imposto de renda é alto, por volta dos 30% para um cidadão que não é classe média. Um amigo neerlandês que trabalha no mesmo departamento paga esse tanto e mora em um prédio para estudantes. Porém, a cidade onde moro é uma exceção. Pelo fato da universidade compor grande parte da economia da cidade e pelo grande número de estudantes em relação à população local, os preços dos aluguéis são um absurdo. Já pensou pagar quase 3.000 reais por um apartamento de dois dormitórios com metragem inferior a 60 m², sem garagem, sem porteiro, sem nada? Pois é, esse é o preço. Agora mesmo estamos passando por um problema seríssimo de falta de moradias. Alguns estudantes estão sendo alocados em colônias de férias há 20 km daqui por conta da falta de imóveis. Um prédio enorme foi destruído há dois anos e ainda não construíram um novo para absorver as vagas desse antigo. Com isso, a lei da oferta e procura (e um pouco de ganância, claro) atuam. Esse colega mesmo com quem saí hoje está morando em um hotel. Mesmo sendo o mais barato da região, a facada foi grande. Some-se a isso o fato dos queridos bancos brasileiros estarem em greve nos últimos 15 dias. Assim, a bolsa de estudo dele não foi repassada. É, tentar ajudar o Brasil a ser um lugar melhor não é fácil. Suor, lágrimas e um “pouco” do dinheiro do bolso. Não estou reclamando. Afinal, que luxo para um país “em desenvolvimento terceiro-mundista” querer pagar bolsas de pós-graduação no exterior. Aplausos à iniciativa. Só espero que esses mesmos governantes e administradores públicos também reconheçam o duro que a gente dá estando por aqui e não fiquem pensando que estamos passeando pela Europa.

P.S.: Quem fizer compras aqui nos Países Baixos e for turista, guarde as notas fiscais. No aeroporto de Schiphol, você pode apresentar as notas e pedir o reembolso do imposto pago. O atendimento demora, é burocrático, mas o valor é considerável.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s