A saga continua

Uma bucólica vista neerlandesa

Uma bucólica vista neerlandesa

O evento de furto teve mais desdobramentos. Fui à delegacia de polícia para tentar fazer uma ocorrência, o nosso famoso BO. Chegando lá, uma simpática senhora e um senhor sentados em frente ao computador e discutindo alguma coisa. Alguns instantes depois, dirigiram a palavra a mim. Tentei explicar que precisava de um “police report” para enviar à seguradora a fim de conseguir a cobertura da roda roubada. Depois de uma explicação meio que na base de gestos e trechos em inglês e trechos em holandês, fiquei sabendo que poderia fazer o tal BO pela Internet. Eu expliquei que tinha tentando, mas que li na página que não se poderia registrar queixas sobre bicicletas. A oficial disse que não. Fui ao departamento pedir a ajuda de uma colega holandesa para ver se dava conta de preencher o tal do formulário online. Ela então empacou na segunda página de formulários. Ficamos sabendo que para furtos dentro da residência não se pode registrar ocorrências. Deve-se ir direto à delegacia. Porém, dei uma de mané, fui preenchendo sozinho e coloquei que foi na área da residência, mas não dentro dela. De fato foi assim. No final, eu estava certo e tinha um campo para indicar o “bicicletário da casa”. Agora quero ver se o seguro cobre esse tipo de coisa… Pois lá é explícito que se trata de bens dentro da casa. Mas então, “casa” aparece no sentido de “local onde se mora”, o que incluíria as dependências anexas. Enfim, o tal contrato de seguro é tão complicado como no Brasil. Cheio de detalhes, cláusulas de exceção, lista de documentos enormes e, óbvio, nada claro. Tudo é passível de questionamento. Gastei a tarde só resolvendo esses detalhes. Falta agora anexar o orçamento da loja. As peças talvez cheguem amanhã.

Mas nem tudo foi só seguro, polícia e documentos. Fui pego de surpresa no corredor do departamento por um dos meus chefes. Ela queria marcar uma reunião para discutir a nossa próxima reunião. Na  hora, ela simplesmente jogou que queria fazer uma reunião. Não entendi para quê e fiquei sem graça de perguntar o motivo de uma nova reunião há quatro dias úteis da outra. Eu a lembrei que tínhamos uma reunião com todo o grupo na segunda, pensando que talvez ela tivesse esquecido. Que nada, queria outra mesmo. Tive que perguntar para quê, com aquela minha cara de completa “interrogação”. Respondi que eu não tinha alterado nada no conteúdo do meu trabalho e que não tinha nada interessante para discutir. Ela disse que não era conteúdos, mas para discutir sobre a reunião que foi e a reunião que vem. Depois dessa, acho que o povo daqui ganhou em termos de burocracia. Se no plano de trabalho diz uma reunião por semana, será uma reunião por semana. Mesmo que seja para discutir “ice-skating” ou o jogo do Ajax.

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