O Retorno: uma novela mexicana

Meus amigos,

Após um longo silêncio de um mês, voltei com os comentários. Não estava pulando carnaval e nem tirando férias. Apenas me dedicando aos novos fatos, dentre eles a eminência de voltar ao Brasil bem antes do programado. Tudo está sendo meio surpresa para mim. Infelizmente, não posso dar muitos detalhes do ocorrido por envolver a empresa onde trabalho e informações obtidas em conversas com diferentes “autoridades” aqui e no Brasil. Mas mesmo sem esses detalhes, eu queria dar um testemunho para aqueles que por acaso estejam pensando em vir para o exterior para estudar, como eu fiz. A primeira coisa que testemunhei foi a dificuldade de adaptação de colegas, não só brasileiros, mas de qualquer outro lugar, como os europeus “do sul”. Adaptação ao clima, à cultura, à língua, ao sistema acadêmico e às próprias pessoas que nos cercam, mesmo brasileiros. A sensação de estar numa “ilha” fica em diferentes graus, mas está lá. Creio que o segredo da adaptação é saber que a ilha não é tão ruim (seja vendo o que é “bom”, seja mudando o que você acha ser “bom”) e saber “entrar” e “sair” dela. Por entrar e sair eu quero dizer criar pontes, visitando lugares (fisicamente), ou se deixando envolver pelas pessoas ao seu redor (intelectualmente). A segunda coisa que testemunhei é que, não importa quão famosa seja a universidade, os problemas de política, jogo de poder, ciúme, inveja, competição estão ali presentes, igualzinho ao que se vê nas melhores universidades brasileiras. A diferença é o tamanho da cifra, aqui no exterior, muito maior. Obviamente, as batalhas são igualmente sangretas e não menos “apaixonadas”. A terceira coisa é juntar tudo isso e adicionar o elemento surpresa. Sim, shit happens. Acreditem-me, acontece das formas mais estranhas possíveis. Por isso, no título deste post eu coloquei “novela mexicana”. É tanta coincidência que você fica imaginando, imediatamente, uma teoria conspiratória. Por exemplo, comigo as coisas começaram a degringolar exatamente no começo do Ano Novo Chinês, diga-se de passagem, o Ano do Búfalo de Terra. Segundo o que eu achei de informação sobre o ano, trata-se de um ano de “semeadura”, de superação de obstáculos, de trabalho árduo no preparo da terra, trabalho constante, de sol a sol. Coincidência ou conspiração, a questão é como lidamos com tudo isso. Talvez essa tenha sido a maior lição para mim. Digo talvez porque ainda estou um pouco abalado e surpreso com tudo, de maneira que não estou exatamente pensando com a cabeça, mas ainda com o coração. A lição é focar energias. Eu ia dizer manter a calma, mas acho que isso é conseqüência, na verdade. Se a gente consegue, intencionalmente, focar as energias para aquilo que se quer, é impressionante como as coisas passam a fazer sentido e fica fácil priorizar as ações. Melhor, a gente se controla e sabe exatamente o que nos faz perder energia e o que nos impulsiona para ações “inteligentes”. Claro, nada disso garante resultados. E é aí que vem, de novo, a “surpresa”. Surpresa por ter acontecido, surpresa de como os fatos se sucedem. Se eu visse tudo que me aconteceu numa bola de cristal, eu ia pedir o meu dinheiro de volta, tal a seqüência de coisas inusitadas que se passaram comigo.

Enfim, meus caros, não sei o que vai ser o meu futuro. Não sei se vou acabar com um rombo no meu bolso tendo que pagar à minha empresa a multa por não conseguir terminar os meus estudos. Não sei se continuo fazendo o que eu faço. Não sei se o campo que eu aro é para trigo ou para joio. A verdade é que algo crescerá. Algo se sucederá. Se vai acabar como eu desejo, eu não sei.

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