Preparativos

Depois das lições tiradas, parto para os preparativos da minha mudança. Como sempre falo para os meus amigos, mudança é sempre sinônimo de desconforto, de dor, de cansaço. Inevitável. É como um parto, uma mudança de residência, parar de fumar ou trocar de emprego. Sempre envolve esses elementos em diferentes graus. Mas se mudança envolve tamanho conjunto de coisas negativas, por que mudar? Eu creio que seja a motivação e a atitude de cada um. A motivação é o que me inspira, as minhas razões íntimas, as minhas “musas”, intrinsicamente ligada aos meus desejos. A atitude é o como eu persigo o que desejo. Assim, mudar para mim é uma combinação infinita de motivos e atitudes que se traduzem em decisões. Apesar das decisões se resumirem a um “sim” ou “não”, mudar ou manter, eu combino milhões de pequenas decisões. Adicione a isso, a variável tempo. Mesmo que você não mude, o mundo muda, as pessoas mudam, as situações mudam. De certa forma, o seu “ambiente” toma a decisão por você e, no final, mesmo que você não mude, a distância entre o que você é e o que o ambiente que te cerca passou a ser, tem um “delta” que é a mudança. Assim, o desconforto, a dor e o cansaço fazem-se presente. Não mudar implica também em desconforto, dor e cansaço. Dito isso, a gente percebe que a diferença fundamental entre mudar ou não mudar é que em um caso você toma as rédeas do seu destino, se desafia, experimenta as coisas à sua volta, testa limites, se conhece… E cresce. Crescer significa que você muda, mas com uma intenção. Não é só ir para frente, aumentar, colecionar experiência ou conhecimento. Crescer é caminhar para onde se quis caminhar, independente  se o caminho é o “certo”, ou se ele é o “verdadeiro”, ou se ele é o que vai para frente, aumenta ou coleciona. Quando penso na minha decisão de vir para a Europa para estudar, foi uma decisão intencional. Talvez eu não tenha avaliado todos os perigos envolvidos. Talvez eu não tivesse a atitude de maior “sucesso”. Com certeza o resultado também não foi o esperado. Mas a intenção da decisão estava lá e, por isso, eu cresci. Eu imaginava que o que me movia para a mudança era a taxa de “sucesso”. Que a alegria de atingir os resultados desejados fosse o “remédio” para sobrepujar o desconforto, a dor e o cansaço. Que alegria fosse o combustível. Vejo que se fosse assim, eu nunca mudaria. Pois os sucessos dos resultados, em sua maioria, não foram 100%. Diria até que nem 50% do que eu esperava. Comecei um milhão de coisas, mas não terminei a maioria delas. Ainda assim, cresci. Sei disso porque eu gosto do que eu sou. Eu me transformei em algo que desejo. Afinal, eu escolhi o caminho. Agora, eu escolho voltar.

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