Agredindo o ambiente

Pescando

Recentemente, eu fiz uma viagem ao Nordeste. Foi a primeira vez que fui visitar praias por lá. Sempre fui a trabalho e não sobrava um tempo para recreação. Porém, a visão do que tive me causou diferentes sentimentos. De um lado, estava maravilhado com a beleza da cor do mar, da diversidade da fauna e da flora marinhas vistas durante o snorkeling e a sensação de desprendimento das “vestes sociais”. Por outro, estava muito chateado e preocupado com a degradação do ambiente. Às vezes, essa degradação vinha travestida de nomes pomposos como “Sistema de disposição oceânica de efluentes”. Outras vezes, era a constatação do lixo no fundo do mar, nos cocos secos jogados pela praia, nos montes de lixo que se amontoavam do lado de fora das casas de veraneio, no morro erodido. Triste ver aquele verde lindo maculado pelo cinza do esgoto, ou pelo incolor do plástico boiando. Como tudo no mundo, nada acontece isoladamente. Esse lixo vem do consumo desenfreado de produtos proporcionado pelo capitalismo. Compra-se, consome-se, joga-se fora. Nada se recicla. Produz-se eficientemente, mas não se consome racionalmente. Os “catabólitos” se jogam nos canais, na rua, no ar… As pessoas não estão educadas para entender que o mundo vive em torno de ciclos. Não entendem que a garrafa de água vazia que jogam pela janela do carro desaparece do seu carro, mas não do mundo. Claro que pensar apenas assim é simplificar um ciclo ainda maior e, infelizmente, vicioso: o ciclo da pobreza. As pessoas não estão educadas porque não vão à escola. Não vão à escola porque os pais não conseguem empregos. Os empregos que se oferecem são de baixos salários e em condições bastante desvantajosas para o trabalhador, que fica doente, que não pode pagar os remédios, que se endivida para comer e, no final, sem ter o que fazer em casa, gera mais filhos, sem escola, sem saúde, sem trabalho e sem futuro. A idéia desse ciclo me deixa muito triste. Pelo tamanho, pelo tempo e pelas vidas das pessoas envolvidas. Enquanto estou aqui digitando no meu maravilhoso Macbook, há duas horas de vôo se encontram famílias que nem sabem o que farão para sobreviver amanhã. Nem se precisa ir tão longe. No final da rua tem gente que não sabe como vai fazer para pagar a conta do final de mês. Pensando um pouco mais, acho que vivemos uma sociedade muito doente, com pessoas doentes. Uma doença do coração, de não conseguir mais amar as pessoas, de respeitá-las, de ouvir… Competimos tanto que nos canibalizamos moralmente, eticamente. Queremos ser o que não somos e somos incapazes de reconhecer a beleza do que somos, as nossas diferenças, as nossas individualidades. Meus caros terráqueos, precisamos mudar. Mudar a nós mesmos. Mudar como vemos o mundo e as pessoas. Acreditar nos outros, não enganar, não mentir, não odiar. Precisamos desesperadamente aprender a amar.

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