Curiosity em Marte

Fonte: Jet Propulsion Lab, California Institute of Technology (foto Dutch Slager).

Nesta madrugada de segunda-feira, fiquei acordado para ver o pessoal do centro de controle do Mars Science Laboratory (MSL) e o pouso do jipe-robô Curiosity. Vi alguns vídeos dos chefes de equipe dando entrevistas horas antes da sonda chegar a Marte. A comoção era geral. Vi ao vivo também a transmissão da equipe impaciente por sinais de vida da sonda. Dei uma olhada nas especificações do equipamento, nos detalhes da estratégia de descida e nos depoimentos do pessoal envolvido… Bom, de cara, soube que foi um investimento de 2,5 milhões de dólares. A quantidade de pessoas envolvidas é gigantesca. Especialistas de tudo que é área. Mais incrível é pensar em outros números físicos envolvidos: a sonda pesa exatos 900 kg; o artefato cobriu 246 milhões de km em pouco mais de oito meses; adentrou a atmosfera de Marte a 20 mil km/h; e acertou o local de pouso com um “erro” de apenas 3,5 km (dentro da margem de 20 km esperada em um planeta inteiro). Números musculares. A última hora antes do pouso foi toda automática. Mas o diferencial foi a complexidade dessa descida. Ela se deu em três estágios: 1) entrar na atmosfera e executar manobras em velocidade hipersônica; 2) desacelerar com um paraquedas supersônico; e 3) descer à velocidade de 2 km/h com a ajuda de um guindaste estabilizado por jatos propulsores. Em meio a tudo isso, não pude deixar de notar que ele não tem painéis solares como a sua irmã, Opportunity. A sonda é movida a energia atômica, um núcleo de plutônio na forma de pellets de cerâmica, para resistir ao calor. Este plutônio está protegido por uma blindagem capaz de suportar um tiro de canhão. E foi testado assim, pois tinham a preocupação do equipamento espatifar em Marte ou, pior, explodir no lançamento. Eu fico vendo essa foto acima e pensando que coisa mais maluca. Como conseguiram mandar essa sonda para lá? E por que tão grande? Procurando mais informações, a resposta para o tamanho é simples. Ela é um laboratório geológico completo, com capacidade de detectar formas de vida carbônica, medir radiação, captar som, tirar fotos em alta-definição (ela tem ao todo 17 câmeras) e coloridas (veremos pela primeira vez a REAL cor de Marte), determinar a direção e velocidade do vento, medir a temperatura e mais um monte de outros sensores que não faço a menor ideia para que servem. A despeito da sonda em si, também fiquei pensando por que a escolha tão específica da Cratera Gale? Essa escolha foi decidida entre 60 outros possíveis locais. E a escolha é específica por conta de um aspecto geológico importante. Esta cratera foi fruto de um impacto de meteoro. No seu interior, tem a Montanha Sharp, com mais de 5.400 metros de altura, toda formada por detritos acumulados após o impacto do meteoro. Uma formação bastante incomum. A consequência disso tudo é que numa área relativamente pequena, existe vários afloramentos do perfil do solo marciano que permitirão verificar a evolução geológica do planeta e, assim, determinar se de fato houve água em forma líquida e se existiu alguma forma de vida orgânica por conta disso. A escolha específica desse ponto de pouso é que demandou a enorme engenharia de pouso, envolvendo manobras de correção de trajetória na reentrada, os paraquedas e o Skycrane. É simplesmente emocionante tudo isso! Eu já achava um feito fabuloso o vôo dos ônibus espaciais. Infelizmente, não tive a oportunidade de ver nenhum lançamento ou pouso dele antes de sua aposentadoria. Vi vários documentários sobre o desenvolvimento dos Space Shuttles, os preparativos para cada vôo, o treinamento dos astronautas e tal. Impressionante a quantidade de coisas que podem dar errado e que não dão. Não é à toa que a perda de vidas em dois desastres desses veículos se deu por coisas aparentemente bobas. Em um, a vedação dos tanques de combustível. Em outro, placas de cerâmica protetoras que se desprenderam. Não foi uma falha de computadores, ou defeito na plataforma de lançamento, ou algum controle aviônico mal projetado. Foram simples peças. O mesmo penso da Curiosity. Tanta coisa que poderia ter dado errado em 246 milhões de quilômetros que separam a Terra de Marte. Mas está lá. Mandando fotos, pousada em solo firme, funcionando em meio às tempestades de poeira marcianas e aos extremos de temperatura. Mas de tudo, o que ainda me deixa um pouco chateado é a nossa (e digo nossa porque sou parte da humanidade) mania de jogar lixo. Essa chegada da sonda, só em Marte, deixou o escudo defletor, a cápsula externa e o Skycrane de ferro-velho. Tudo bem que talvez não existisse outra forma de fazer toda a viagem. Mas que já começamos a poluir esse planeta vizinho, ah, isso já começamos. Não demorou. Imaginem uma Eco-Mars 2112!

Alguns links que talvez sejam de seu interesse:

Também sugiro um aplicativo fabuloso desenvolvido pelo pessoal de comunicação da Nasa denominado Spacecraft 3D. Quem tiver iPad ou iPhone podem baixar gratuitamente o aplicativo pelo Apps Store. Difícil explicar o que faz. Veja neste vídeo. O barato é ficar mexendo na folha de papel!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s